Fantasiar

Hoje acordei e decidi ir à praia, quem diria que o Verão ficaria até fins de Outubro. Caminhei. Mergulhei. Deitei-me ao sol. Resumindo, estava um dia fantástico.
No entanto não consegui tira-lo da minha mente, dei por mim a fantasiar o quão bom seria te-lo ali, o paraíso de fim de Outubro diria..Pensei em ligar-lhe, pedir-lhe que viesses ter comigo, mas depois pensei e se a resposta dele for não? Ou não posso? E se inventar uma desculpa qualquer? Não. Não podia ser.  Não queria arruinar o dia, por fim parei de pensar, para voltar a fantasiar. Lembrei-me das noites quentes de Verão que passamos juntos e como poderiam ter sido diferentes, faria diferença? Poderiam ter sido melhores? Pode sempre ser melhor, pensei. Mentira, com ele é sempre o melhor. 
Fui recuando cada vez mais no tempo, até que parei. Parei num dos dias mais felizes da minha vida, senão mesmo o mais feliz! Será que ele se lembra? Imaginei todas as resposta que me poderia dar caso lhe perguntasse, como "Sim, lembro." ou "Foi à tanto tempo...", ou "Não me lembro.", ou "Tenho uma vaga imagem na minha mente...", ou por fim aquela que me deliciaria "Claro que me lembro!", bastaria um "Claro." e saberia de imediato que também tinha sido um dos seus preferidos ...


Hoje fantasiado, Ri.

Atenção

Melodramatismo é um dos meus apelidos, mas, depois de pensar bem nas coisas, admito-o e guardo o que é bom e transformo o mau em lições. Como nos relacionamentos, por exemplo. Estou sempre a queixar-me de todos os relacionamentos que tive, mas, na verdade, não foram assim tão maus. As mensagens de bom dia, as de boa noite, as de "como estás?", ocasionalmente um jantar ou uma ida ao cinema, os pequenos e mais importantes momentos de carinho, este e aquele detalhe. Falo isto de todo o tipo de relacionamentos que tive, desde o namorado ao "fuck friend". Sempre fui um bocado mimada no que toca à atenção que eles me dão.
Mas eis que chega aquele de quem realmente quero atenção (não digo para estar em contacto a toda a hora, não mesmo, nem tenho paciência para isso e tenho mais em que me concentrar; digo preocupar-se de vez em quando, pensar em mim de vez em quando, ter curiosidade de vez em quando), e tudo o que recebo é o amargo sabor a indiferença.
Talvez tenha mantido relações sempre com o mesmo tipo de pessoas e esta é demasiado diferente.
Talvez não estejamos preparados para mais nada do que duas noites no paraíso.
Talvez esteja a ser melodramática e mimada.
Talvez esteja só a enlouquecer.

Mas antes de tudo, tinhamos uma amizade, e acho que era suposto preservar-se isso.

Com um bocadinho de menos amor e um bocadinho mais de frieza,
Mi.

Charme

Não sei o que se passa na minha cabeça, mas nada de bom é. Onde quer que vá existe um moreno charmoso. E para complicar têm sempre aquele sorriso rasgado que me faz querer ter a sua companhia para o resto do dia, da noite e quem sabe até na manhã seguinte. A verdade é que sempre preferi morenos, mas fogo quando é que eles se tornaram tão charmosos? É que eu não me apercebi disso! Depois quando dou por mim já é tarde demais! Lá está aquele sorriso, aquela forma brincalhona de falar, a forma como dizem o meu nome e pronto! Torno-me toda sorrisinhos e o meu dia torna-se melhor!

Hoje estava eu a falar com o tal moreno quando ele me diz que anda à procura de quarto (vida de estudante é assim), pergunta-me quanto pago, falamos dos preços, das contas, falamos em geral. Não é que de repente pergunta-me o que aconteceria se metesse outra cama no meu quarto e o quisesse partilhar, respondi-lhe na brincadeira que podíamos guardar segredo que ninguém tinha de saber. Proposta tentador disse ele com um sorriso gigante, as despesas diminuíam e tal ficávamos todos feliz. 

E foi nesta altura que desejei agarra-lo e leva-lo para casa! Será que posso?


Com desejo, Ri*.


Mesmo invisível me sustentas.

"Tenho de regressar obsessivamente a ti,
aguento dois ou três minutos, às vezes quatro ou cinco quando consigo adormecer um pouco, ler um livro que me leve, e depois volto, enfim, para a estranha necessidade de te encontrar,
há em mim uma voracidade de afecto,
desassossega-me que consigas existir onde não estou, a tua pele consegue?, a minha abdica, atira a toalha ao chão e lamenta-se, é possível ter uma pele queixinhas?,
tenho de aprender a prostituir a palavras,
tudo o que escrevo e leio te traz, ontem li a bula de um medicamento qualquer e inventei um poema, era mais ou menos sobre as contra-indicações do teu corpo, os malefícios do teu suor para a pele, e no final só me apetecia tomar os medicamentos todos para que algo em ti me pudesse amar, (...)
tenho de arranjar um nome para os teus lábios,
e para ti também já agora, pensei em chamar-te água porque me entras e sais por todos os poros, depois lembrei-me de te chamar ar porque mesmo invisível me sustentas, e fiquei por te chamar minha porque era tudo o que me bastava", já dizia Pedro Chagas Freitas, a descrever tão bem a minha mente.

Com amor,
Mi.